LIÇÕES DE CAVAQUINHO
PULSAÇÃO IGUAL À DA GUITARRA:
Também se podem pulsar as cordas, utilizando a dedilhação da guitarra clássica, a qual explicamos a seguir:
Coloca-se a mão direita junto à boca do Cavaquinho para que o dedo “a” (ANELAR) toque na primeira corda, o “m” (MÉDIO) na segunda e o “i” (INDICADOR) na terceira.
Com estes três dedos semicerrados, puxam-se as três primeiras cordas em direcção à palma da mão. Com este movimento, as cordas soltam-se e ficam a vibrar, provocando assim o som desejado.
As três primeiras cordas poderão ser tocadas simultaneamente, ou uma de cada vez, (ARPEJADO) dependendo isso da forma como se deseja fazer o acompanhamento.
A quarta corda toca-se com o “p” (POLEGAR), que a pressionará com a parte exterior da falangeta ou com a unha.
SOLOS SIMPLES:
Para solar uma melodia, pode-se usar o “i” (INDICADOR), que tocará uma corda de cada vez, ou também a palheta, que procederá da mesma forma.
SOLOS COM ACORDES:
Esta técnica, que é usada pelos bons tocadores de Cavaquinho, consiste em utilizar o (RASGADO) nas quatro cordas com a mão direita, enquanto a esquerda, vai desenhando o solo nas cordas agudas e faz o acompanhamento em acordes nas outras cordas.
A MÃO ESQUERDA:
As cordas devem ser premidas com os dedos bem curvos, excepto quando se fizerem posições com BARRA, nas quais o dedo premirá as cordas na posição vertical.
As unhas devem ser cortadas rentes de forma que os dedos possam premir as cordas sem dificuldade.
A posição correcta dos dedos, assim como a força empregue para premir as cordas, são de grande importância para obter uma boa sonoridade.
A pressão do dedo (POLEGAR) no braço do Cavaquinho, deve estabelecer o equilíbrio com a pressão dos outros dedos, que primem as cordas.
Com a prática, aprenderá a utilizar a pressão mais conveniente.
Nas partituras de músicas, os números junto das notas indicam os dedos (1-2-3-4) da mão esquerda que primem as cordas, e os números dentro dos círculos (1-2-3-4), indicam as cordas em que se colocam.
“P”-O uso do dedo (POLEGAR) da mão esquerda, para premir a 4ª.corda, não oferece uma estética agradável, mas por vezes é de grande utilidade, quando se executam solos juntamente com o acompanhamento de acordes.
ACORDES:
Este método que contém várias afinações apresenta os ACORDES MAIORES, MENORES e de SÉTIMA DA DOMINANTE.
O nome do acorde está inserido em rectângulos da parte de cima dos esquemas das posições.
Na parte de cima do rectângulo está a outra, usada internacionalmente, e na parte de baixo o nome do Acorde, como designa em muitos países.
Por vezes a mesma posição de dedos tem dois rectângulos, o que significa que se lhe pode chamar de duas formas, ou seja, de Sustenido e Bemol ou vice-versa.
Para maior esclarecimento sobre esta matéria, deve consultar o método GUITARRA MÁGICA “ACORDES”, do mesmo autor, onde encontrará explicações pormenorizadas referentes à formação dos Acordes Perfeitos e Dissonantes.
O CAVAQUINHO:
O Cavaquinho é um pequeno instrumento com quatro cordas, da família das guitarras, cujo comprimento oscila pouco mais ou menos em metade do tamanho da guitarra clássica.
De origem bastante incerta, parecendo no entanto ter vindo de Espanha, enraizou-se em Portugal, donde se expandiu para outros países, variando nos seus aspectos e formas de afinação, conforme o gosto dos habitantes das localidades onde penetrou.
Com a evolução do progresso, o Cavaquinho foi sofrendo algumas transformações, em que as mais relevantes foram as mudanças das cordas de tripa para cordas de aço e dos afinadores de madeira para leque ou carrilhões de metal, não perdendo porém o seu carácter típico e popular.
Com boca de raia ou redonda, o seu som característico gritante nunca passa despercebido, seja no acompanhamento de vozes, ou integrado como solista, ou acompanhante no meio de outros instrumentos.
Portugal, Madeira, Açores, Cabo Verde, Brasil, Havai, EUA e mais países no Mundo, incluem nos seus instrumentos populares o Cavaquinho que, embora designado com outros nomes e com algumas diferenças de trato, não oculta a sua origem remota.
PEÇAS PRINCIPAIS DO CAVAQUINHO:
Cabeça ou Pá; Carrilhões; Pestana superior; Trastes ou Tastos; Escala;
Ilharga; Boca; Fundo ou Costas; Pestana inferior; Cavalete; Tampo.
AFINAÇÃO DO CAVAQUINHO:
A afinação natural das quatro cordas do Cavaquinho, partindo da mais grave (4ª.) para a mais aguda (1ª.), parece ser RÉ-SOL-SI-RÉ, ou outras que embora noutras tonalidades, mantenham todos os intervalos das notas de cada corda na mesma relação com as notas desta afinação.
Seria muito difícil englobar neste método todas as formas de afinação do Cavaquinho, pelo que eu escolhi as mais conhecidas, tentando exemplificá-las o melhor possível sem que o seu estudo se torne complicado.
CORDAS QUE PODERÁ USAR:
A escolha das cordas para as diferentes afinações do Cavaquinho, pode fazer-se de acordo com o gosto do executante, mas é necessário haver um certo equilíbrio na rigidez que elas oferecem depois de afinadas.
Ao fundo do gráfico que representa a escala do Cavaquinho com o nome das notas referentes a cada afinação, indica o número do carrinho que julgo mais apropriado para se usar em cada corda.
Se por acaso, não tiver à mão os números de cordas que estão indicados ao fundo da escala, poderá utilizar os mais próximos daqueles.
CONSELHOS AO ESTUDANTE:
Na escala do Cavaquinho, as cordas que assentam na pestana de osso não devem estar muito afastadas dos trastos (pontos), para que não haja desafinação ao serem premidas pelos dedos da mão esquerda.
Se as ranhuras da pestana estiverem muito altas poderá baixá-las com o auxílio de uma lima ou com uma serrinha até alcançar a altura conveniente entre os trastos e as cordas.
GUITARRA CLÁSSICA:
Se você já sabe tocar guitarra clássica, pode iniciar a sua aprendizagem do Cavaquinho nas páginas 22 e 23, pois essa afinação é a mesma das quatro cordas mais agudas da guitarra clássica o que lhe facilitará o seu estudo.
Afinação similar a esta é também a das páginas 24 e 25.
GUITARRA DE FADO:
A afinação das páginas 25 e 27 é igual à dos quatro pares de cordas mais graves da guitarra de fado.
Portanto, esta afinação e a similar das páginas 28 e 29, são as que julgo mais aconselháveis à sua iniciação do Cavaquinho, desde que você já saiba tocar guitarra de fado.
BANDOLIM:
A afinação do Cavaquinho, igual à do Bandolim (quarta corda afinada uma oitava mais aguda) das páginas 30 e 31 é pouco usada, mas pode tornar-se útil aos tocadores deste instrumento.
OUTRAS AFINAÇÕES:
Se você não sabe tocar nenhum destes instrumentos, pode optar por uma das afinações que mais se use nas redondezas do lugar em que reside, e que encontrará neste método.
Poderá assim tirar conhecimentos de outros tocadores da mesma região e que tocam na mesma afinação.
Há tocadores de Cavaquinho que lhe extraem a quarta corda, tocando portanto neste instrumento, que fica somente com três cordas.
MÃO DIREITA:
A mão direita tem particular importância na sonoridade extraída do Cavaquinho, pois pode usar as cordas de várias formas, obtendo assim diversos efeitos de som.
Podem-se usar unhas postiças, para os dedos indicador e polegar, ou também, uma palheta que se segura entre estes dois dedos.
Com estes artifícios, o timbre do Cavaquinho toma outros cambiantes de som, geralmente mais estridente e agressivo, e o seu uso depende do efeito que o executante queira dar à música.
Inicialmente é aconselhável pulsar as cordas com as unhas naturais e, nos primeiros exercícios para a mão direita, a esquerda limita-se a segurar no Cavaquinho sem pressionar nenhuma corda.
PULSAÇÃO COM O DEDO INDICADOR:
Com este dedo pulse as cordas de cima para baixo (da 4ª. para a 1ª.) e depois de baixo para cima (da 1ª. para a 4ª.) arrastando-o pelas cordas todas.
Pratique este exercício muito lentamente e depois vá aumentando a velocidade até atingir uma certa rapidez.
DEDO POLEGAR:
Com este dedo execute o mesmo exercício que fez com o indicador.
INDICADOR E POLEGAR:
Com estes dois dedos pulse as cordas alternadamente, para que o Indicador toque de cima de cima para baixo e o Polegar de baixo cima.
INDICADOR, MÉDIO E ANELAR:
Começando com o dedo Anelar a pulsar a 4ª. Corda, vá deslizando até à 1ª., de forma que o Médio vá pulsando a seguir todas as cordas, seguindo-se de imediato o Indicador.
Um efeito que se chama Rasgado produz-se pelo arrastar das unhas nas cordas sem as pontear, e além destes três dedos pode-se incluir também o Mínimo.
3 – A TERCEIRA CORDA SOLTA afina-se em uníssono pelo LÁ (DIAPASÃO) ou pela nota LÁ de outro instrumento.
2 – A SEGUNDA CORDA SOLTA afina-se em uníssono pela TERCEIRA CORDA PREMIDA NO QUARTO TRASTO.
1 - A PRIMEIRA CORDA SOLTA afina-se em uníssono pela SEGUNDA CORDA PREMIDA NO TERCEIRO TRASTO.
4 - A QUARTA CORDA PREMIDA NO QUINTO TRASTO afina-se em uníssono pela TERCEIRA CORDA SOLTA.
No dia 16/7/2008,tivemos pela primeiravez, ensaios de Cavaquinho ao ar livre.
O lugar escolhido foi a mata do Bom-Jesus.
Foi uma tarde muito bem passada,pois, além dos ensaios,houve merenda levada de casa.
Também houve direito a fotos, para a posteridade.
A.V.Lopes